quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A vida

Quem sabe
Se um dia cabe
Em mim, teu fim

Verdade
Que é saudade
Se for assim

Ás vezes
De tantas seres
Nas minhas lágrimas

Tendes
Quando me sentes
Seres, como ilhargas

E o tempo teme
O corpo treme
A voz vacila

O vento geme
O verso é leve
O sonho cisma

O teu olhar
No meu, o mar
De te sentir

O ondular
De só te amar
E ver partir…

Quem sabe
Se dia cabe
Em ti, meu fim

Se for saudade
Se for verdade
Eu morro… sim…

A vida é tudo o que nos resta para sentir.
E sentir é tudo o que nos resta...

Sentimento de vazio constante

Sinto-me vazia por dentro, sinto que já não sei nem percebo nada, que estou a ser levada por uma corrente mais forte que eu, mais forte que já não consigo lutar contra... sinto que simplesmente me estou a deixar levar...não consigo pensar, sinto que já não conheço ninguém, estou a deriva, os objectivos que outrora estavam presentes desapareceram como que evaporassem no nada... estou sem nada... sem alegria, confiança nada... sinto-me cansada, derrotada, sem forças para o que quer que seja... simplesmente precisava dormir por uma eternidade para descansar e acordar revigorada e cheia d forças para continuar... Sozinha e ao mesmo tempo acompanhada de mais... já não sou importante, se é que alguma vez fui... se prestassem atenção ao meu silêncio, se o ouvissem... iam entender tanta coisa... mas quem tenho que faça isso? que tente entender o meu silêncio? que queira dar apoio e força sem ouvir uma palavra? NINGUÉM... eu estou sempre aqui para quem me procura sempre com um sorriso e força para dar mas e eu? quem me dá força a mim? Quem me tenta ao menos tirar deste poço sem fim? Quem é que fica aqui do meu lado sem querer nada em troca? Sinto que preciso desistir de tudo o que alguma vez acreditei mas no fundo não consigo mas também não tenho forças para continuar esta caminhada onde não se sabe o destino, onde se anda as cegas sem nada... sem ver alguém para nos dar a mão, sem ver quem nos põe paus no caminho, quem nos puxa para os buracos... simplesmente sabemos que estamos sozinhos e pensamos que no fim encontraremos a saída mas só para nos dar motivos para não pararmos a meio, cairmos e não mais nos levantarmos......

Dúvidas

Às vezes sinto “um não sei quê”, como se quisesse gritar o que sinto, mas não sei o que sinto.
Por vezes sinto-me … Vazia;
Por vezes sinto-me perdida no mundo que criei, desorientada…

Por vezes sinto-me triste com a imagem reflectida no espelho … Desconhecida.

Por vezes sinto-me...
São tantas as vezes que perco a conta; São tantos os porquês, que sufoco, sufoco com as vezes que me sufoco!

São tantas as vezes em que espero, por ti, por alguém...por ninguém…

Não há caminho para mim, não enquanto estou parada.
Não enquanto estou de olhos fechados, não enquanto tiver medo.

Por vezes sinto-me capaz de vencer o mundo e nessa altura sou Eu
Por vezes sinto-me capaz de ir em frente …

Por vezes estas vezes são mais vezes, por vezes as outras vezes desaparecem
Risco-as de mim
Risco-as do meu dicionário
Levantei a cabeça...
E por vezes vou vencendo

Um dia depois do outro … por vezes são tantas as vezes que já lhe perdi a conta.

Sem sentido...

Num papiro a tinta indelével
Escrevi mil palavras sem sentido,
Frases sem nexo, despidas de emoção,
Cruas, sofridas.
Descobri o vazio da minha alma,

A frustração escrita, por dizer,
O sofrimento oculto, por escrever.
Sem querer,
Encontrei no som da minha voz,
A amarga certeza de estar perdida.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A queda do muro de Berlim

No dia 9 de novembro de 1989, após grandes manifestações civis de protesto, o governo da República Democrática Alemã (RDA), permitiu, pela primeira vez em mais de vinte e oito anos, que os moradores da parte oriental de Berlim, pudessem atravessar o muro que os separava do lado ocidental. Em resposta, milhares de berlinenses rumaram à imensa barreira de concreto, atravessando-a e unindo-se aos berlinenses ocidentais.
O movimento de pessoas atravessando o muro, como se fosse uma grande procissão revolucionária, atraiu todos os holofotes da imprensa internacional. O mundo pôs seus olhos àquele momento histórico. Uma grande euforia tomou conta dos berlinenses, que aos poucos, foram derrubando partes do muro e, dias mais tarde, máquinas industriais completaram a demolição. Caía o maior símbolo da Guerra Fria.
A queda do muro de Berlim, ou “Muro da Vergonha”, como era chamado por seus opositores no mundo, desencadeou o fim da Cortina de Ferro, constituída pela União Soviética e pelos países socialistas do leste europeu. Diante do silêncio do governo de Moscou, que decidiu não intervir com os seus tanques modeladores da ideologia socialista; outros países do bloco comunista quebraram as amarras e, um a um, derrubaram e extinguiram os seus regimes.
A queda do muro representou para Berlim o fim à humilhação e dor que a ambição nazista mergulhara a cidade e, à própria Alemanha. Famílias foram separadas por décadas. Rebeldes mortos na tentativa de fuga. Berlim era a capital logística da Guerra Fria, de um lado do muro os soviéticos, do outro as nações capitalistas ocidentais, no meio, a dor de um povo que levara o mundo à Segunda Guerra Mundial, e que se tornara refém da nova guerra entre duas ideologias.
A partir da queda do muro, a República Federal da Alemanha (RFA) e a RDA puderam ser reunificadas, em 1990. Berlim voltou a ser a capital da Alemanha. Sem o glamour de antes da guerra, a cidade foi totalmente reconstruída, com investimentos que possibilitaram que voltasse a ser uma grande e desenvolvida metrópole. Restava lapidar as cicatrizes de uma Alemanha dividida agora pelo aspecto social, de um lado rica (parte ocidental), de outro pobre e parada no tempo (parte oriental). Restava unir preceitos morais e sociais entre pessoas que apesar da mesma origem, diferenciavam-se por completo.
Na história recente da humanidade, a queda do muro de Berlim pôs fim à Guerra Fria, e iniciou a queda do grande império soviético, ocasionando o fim de várias nações construídas sob as dialéticas de uma ideologia que envelheceu, sendo corroída por seus erros, até que ruiu, tornando-se escombros, entulhos de um mundo que o povo começou a demolir na madrugada de 9 de novembro de 1989.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Góthico entre os anos 40 e 80...


As verdadeiras raízes da subcultura gótica podem ser achadas inicialmente nos anos 40\50 na cultura beat.

Os beats eram pessoas com gosto pelo que outrora fora conhecido como cabaré (na época dos grandes artistas e pensadores franceses), ou seja, ambientes boêmios, onde conversavam, bebiam, fumavam, apreciavam saraus e ouviam boa música (jazz underground e posteriormente rock). Tudo excessivamente. Tanto que os óculos escuros foram adotados ao estereótipo Beat, junto com as roupas predominantemente escuras e boina preta, por causa da fumaça.

Os cabelos eram compridos (porém mais curtos que os dos Hippies) e e eram comuns um tipo de cavanhaque bem aparado em linha ao longo do queixo. Nos Estados Unidos o movimento se tornou menos "intelectualizado", e mais junkie e desleixado. O primeiro uso do termo "Beat" ou "Beat generation" teria sido feito por Jack Kerouac no final dos anos 1940. Mas o termo só se popularizaria nos anos 50. Passou também a ser um movimento pop e "comercializável" de 57 a 61. Mas suas origens remontam ao underground dos cafés parisienses do pós-guerra. Daí vem o termo "estudante de arte existencialista e parisience" para a postura Beat.

O Termo "Beatnik" foi cunhado pela imprensa, misturando Beat a Sputnik ( primeiro satélite russo no espaço sideral ). Os Beatniks nos 60's eram mais apolíticos ( e/ou pacifistas ), existencialistas, cool, sua poesia e música contemplava tanto o lado obscuro quanto hedonista e urbano da boemia. Porém o que era um movimento underground acabou em decadência com sua comercialização. Da diluição desse movimento surgiram talvez outros dois, o hippie e o punk]beat, ou glam punk.

Os Hippies formaram movimento politizado, expressivo (not cool), de visual colorido e cabelos muito longos. A parte do Beat que permaneceu no Hippie foi a religiosidade alternativa, muitas vezes orientalista, o "alternativismo", e alguns estilos musicais. Isso é bem o estilo de artistas que conhecemos muito bem, como Jimi Hendrix, porém não fazia a cara de outros como Iggy Pop. Uma parte dos Beats, claro, não se tornou Hippie, por discordar de suas tendências, e seguiu outros caminhos.

Logo, surge esse outro lado da ramificação temos a explosão do Glam e Glam punk. Com temáticas e abordagens mais profundas, líricas e adultas. Podemos então citar o Velvet Underground em Nova Iorque, os Stooges em Detroit e o The Doors em Los Angeles. O Velvet Underground glamouriza o decadentismo urbano, sem esperanças e floreios, para cena pop. Em 1970, surge em Nova Iorque o grupo New York Dolls com um rock crú e simples, em performances bombásticas travestidos de mulheres. "Ora, se as mulheres conquistaram o direito de se vestirem como homens, por que não?"

A temática chamou a atenção de David Bowie que a levou para o outro lado do atlântico. Junto a Marc Bolan do T-Rex, e o Roxy Music de Brian Eno e Bryan Ferry, Bowie se tornou referência mundial do Glam rock. A abordagem do Glam Rock era basicamente o esteticismo e dandismo de Oscar Wilde e Baudelaire atualizado para os anos 70. A decadência do homem e da sociedade urbana e suas perversões hedonistas, a artificialidade, o pré-moldado, o poserismo, enfim decadence avec elegance (decadência com elegância). Dizer que Glam rock é apenas cores e purpurina é tão superficial quanto dizer que o Gótico é se vestir de preto.

A temática do Glam trazia através de músicas brilhantes (tanto em letra como melodia) a melancolia da condição humana e de temas soturnos, basta ver suas traduções. Mesmo esteticamente o Glam preservava um lado noir (sombrio). Algumas bandas como Bauhaus e Specimen, que deram origem a música gótica, não se diferenciam em quase nada das bandas incluídas no glam rock quanto à sua sonoridade. A atitude do Glam de androgínia era mais do que Rockers durões, Mods (uma variante dos beats cuja diluição daria origem aos skinheads do lado mais durão e na evolução continua a transição para o Glam rock) e os Hippies conservadores estavam preparados. Era uma inversão. Além do mais naquela época nem se via mais o que fazer em termos de psicodelia, foi quando o Glam chegou e virou a cabeça de adolescentes que queriam também se vestir iguais aos seus ídolos. E a influência beat permanecia viva através do Glam.

Tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra, conceitos e estéticas Beats permaneceram ao longo do Glam e dos anos 70. O rótulo "Punk" foi dado ao movimento rock que tinha, em resposta ao rock progressivo, músicas simples em execução, mas com temas sociais importantes. Bandas experimentais, contra a música comercial das grandes gravadoras, uma geração crítica em relação à arte e consumo de sua época, interessada em questões existenciais foram consideradas Punks antes de 77. Exemplos: Talking Heads e o Patti Smith Group. Mas em 78 o termo caía em decadência já era considerado um clichê gasto e distorcido pelo sucesso de 77. O diretor da gravadora Sire Records, Seymour Stein, considerou que estas bandas tinham o mesmo feeling dos filmes do movimento cinematográfica francês de características Noir (obscura) e contra-culturais chamado "Nouvelle Vague" (New Wave, em Inglês, Neue Welle, em alemão).

Assim New wave e Pós-punk (Póstumo ao punk) seriam os termos usados para classificar estas bandas originalmente chamadas de punk antes que o termo "punk" atingisse o fim de seu auge. Simultanamente algumas destas bandas são afiliadas a sub-cultura Gótica. Na verdade com o tempo, o termo New Wave passou a ser ulizado para as bandas mais pops e Pós-Punk, para as mais underground. Ainda então, bandas da sub-cultura Gótica eram classificadas de ambas as formas. Mas posteriormente deixou-se o new wave para bandas com um visual mais colorido e para as bandas que adotaram um tendência mais sombrias acabou-se por usar o termo pejorativo gótico, que acabou pegando.

Toda a Estética Gotica inicial vai ser uma mistura Glam (androginia, poesia urbana e maldita, maquiagens pesadas, sonoridade rock básica, dandismo, etc), que também foram reforçados por uma influência do movimento new romantic dos anos 80, e a cultura Beat (poesia urbana e maldita, existencialismo e espiritualidade difusa, roupas escuras, acid rock, cool, jazz-rock, psicodelia, etc), ora tendo uma sonoridade mais pós punk, outra mais new wave. O termo foi usado durante a década de oitenta e na década de noventa também convencionou-se tirar o new e usar dark, dessa forma: Darkwave.